ANUÁRIO DA PISCICULTURA 2020 – Setor cresceu 4,9% em 2019. No MATOPIBA, apenas Maranhão avançou; Tocantins caiu

A tilápia continua liderando a produção brasileira de peixes de cultivo
A tilápia continua liderando a produção brasileira de peixes de cultivo

14 de fevereiro de 2020

A produção de peixe no Brasil cresceu, em 2019,  4,9% em relação a 2018, alcançando uma produção de 758.006 toneladas. É o que revela o Anuário Peixe Br da Piscicultura 2020, lançado nesta semana, em São Paulo.

Ainda conforme o levantamento da Peixe BR, o Brasil reforça a posição de 4º maior produtor de tilápia do mundo.

– A espécie, aliás, já representa 57% da produção nacional. Os peixes nativos mantêm-se fortes, com 38%, e as demais espécies participam com 5% – informa a Peixe BR, por meio do seu Anuário.

– Indiscutivelmente, o resultado é positivo, porém poderia ter sido melhor. A grande oferta de tilápia no segundo semestre de 2018 e primeiro de 2019 fez com que o produtor reduzisse o povoamento levando à escassez do produto na segunda metade do ano passado –  destaca o presidente da Peixe BR,  Francisco Medeiros.

Nos últimos seis anos, a produção de peixes de cultivo saltou 31% no país, passando  de 578.800 t (2014) a 758.006 t (2019), segundo o Anuário da Peixe BR.

(Gráfico: Texto/Peixe BR)

Tilápia continua na liderança

Com produção de 432.149 toneladas, a tilápia representou 57% de toda a piscicultura brasileira em 2019. No ano anterior, a espécie participou com 54,1%, crescimento de 7,96% superior ao de 2018, comprovando a preferência nacional pela espécie. A espécie está presente em todos os estados, exceto Amazonas, Rondônia e Roraima. Com esse resultado, o Brasil consolida-se na 4ª posição entre os maiores produtores de Tilápia no mundo.

(Gráfico: Texto/Peixe BR)

Nativos seguem estáveis

O levantamento da Peixe BR identificou estabilidade na produção de peixes nativos em 2019, com aumento de apenas 20 toneladas na produção, atingindo 287.930 t.

– Sob o ponto de vista da produção e oferta de peixes nativos, o resultado é positivo, pois inverteu a tendência de queda verificada nos anos anteriores –  diz Francisco Medeiros.

Entre 2018 e 2017, a produção nacional de peixes nativos, liderada pelo Tambaqui, recuou 4,7%. Com o resultado de 2019, os peixes nativos passaram a representar 38% na produção total, recuando quase dois pontos percentuais em relação aos 39,84% do ano anterior.

(Gráfico: Texto/Peixe BR)

O avanço de outras espécies

As outras espécies de peixes de cultivo (lideradas por carpas, truta e panga) representaram, ainda conforme a Peixe BR, uma grata surpresa no desempenho da piscicultura brasileira em 2019. O levantamento da Peixe BR mostra que a oferta dessas espécies (ainda pequena) saltou 8,72%, saindo de 34.370 t para 37.927 t.

Com isso, a participação no total da produção pulou de 4,6% para 5%. Entre os motivos do aumento da produção dessas espécies, destaca-se a presença do panga em estados das regiões Sudeste (principalmente em São Paulo) e Nordeste, além do aumento das carpas e trutas na região Sul.

(Gráfico: Texto/Peixe BR)

Paraná avança mais

Entre os estados, o Paraná apresentou espetacular crescimento de 18,7% na produção de peixes de cultivo em 2019, com 154.200 toneladas, aponta a  Peixe BR.

Com isso, não apenas se consolida na liderança por estados como amplia a vantagem sobre o 2º colocado , que é São Paulo. Na contramão, São Paulo e Rondônia, respectivamente 2º e 3º maiores produtores de peixes de cultivo do país, tiveram um ano negativo, reduzindo sua produção.

(Gráfico: Texto/Peixe BR)

O crescimento da região Sul

A região Sul ampliou sua participação na piscicultura brasileira, alcançando 30,3% da produção total em 2019, segundo a Peixe BR – foi de 27,5% no ano anterior. Em seguida, vêm as regiões Norte , com 20%;  Nordeste, com18,35%;  Sudeste, com 16,8% e Centro-Oeste, com 14,55%. Ao contrário do Sul, todas as demais regiões perderam espaço. O maior recuo foi do Centro-Oeste. Em termos de produção, o Sul avançou 15,51% em 2019. O Nordeste, com 3,46% e o Sudeste, com 2,58%  também cresceram no ano passado. Centro-Oeste, com -2% e Norte, com -0,6%,  perderam espaço.

(Gráfico: Texto/Peixe BR)

Brasil, 4º maior produtor de tilápia

O Brasil produziu 432.149 toneladas de tilápia, em 2019. Com isso, aumentou a distância do 5º e 6º maiores produtores (Tailândia e Filipinas), que ficaram no patamar de 350 mil toneladas/ano. A China mantém-se, com grande folga, na liderança, com 1,93 milhão de toneladas (2019). A Indonésia está em 2º lugar, com 1,35 milhão/t, informa a FAO. O Egito (3º lugar) produziu 900 mil t no ano passado.

(Gráfico: Texto/Peixe BR)

Exportações  crescem 26% em 2019

A piscicultura é o segundo mais importante segmento das exportações de pescado do Brasil, representando quase US$ 12 milhões (4% do total), em 2019. O pescado como um todo exportou US$ 275 milhões no ano passado.
O ponto positivo é que as exportações da piscicultura (e seus subprodutos) vêm crescendo e registraram aumento de 26% em 2019 em relação ao ano anterior, passando de 5.185 para 6.543 toneladas. Entre 2015 e 2019, as exportações da piscicultura brasileira apresentaram crescimento de 833%, passando de 701 para 6.543 toneladas.

(Gráfico: Texto/Peixe BR)

A pauta das exportações da piscicultura brasileira é composta por filés, mas também por subprodutos próprios e impróprios para a alimentação humana, tais como peles, escamas, óleos, gorduras e farinhas. Apesar de os subprodutos representarem 65% do volume em toneladas, essas categorias respondem por apenas 34% do valor, tendo em vista ser produtos com valor agregado baixo se comparados aos filés ou aos peixes inteiros.
A tilápia consolida-se como o carro-chefe das exportações da piscicultura (5.322 t), com aumento de 19% no volume exportado em 2019.
Os peixes de cultivo e seus derivados exportados pelo Brasil têm como principais destinos os Estados Unidos, o Japão e a China. Apesar de importar volume menor em toneladas comparado com o Japão e a China, os Estados Unidos representam o maior valor de importações em dólar por importar principalmente filé de tilápia fresco, que possui alto valor agregado.

No MATOPIBA

Nos quatro estados da região do MATOPIBA – Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – apenas o Maranhão registrou crescimento significativo: 15,2% em relação a 2018. Ou seja, saiu de uma produção de 39.050 toneladas em 2018, para  45 mil toneladas em 2019. Vale lembrar que a produção maranhense cresceu mais de 50% de 2017 para 2018. Ocupa o 10º lugar no ranking nacional.

Tocantins sofreu uma queda de 8,9% –  desceu das 14.600 toneladas em 2018, para 13.300 toneladas em 2019. Assim, o estado despencou do 17º lugar no ranking nacional para a 18ª posição.

Piauí saiu da 14ª posição para a 15ª no ranking nacional, embora tenha crescido 3,0%. Produziu, em 2019, 19.890 toneladas de peixes. Em 2017, produziu 19,310 toneladas.

A Bahia também registrou queda na sua produção de peixes de cultivo – -6,1%. Em 2017 produziu 30.460 toneladas e, 2019, 28.600 toneladas

Drawback contribui

O regime aduaneiro de drawback, que consiste em incentivo fiscal à exportação, permitindo a importação ou a aquisição no mercado interno, desonerada de tributos (Imposto de Importação, IPI, PIS, COFINS e ICMS), de insumos a ser empregados na produção de bens destinados à exportação, é importante para o aumento das exportações de tilápia, primeira espécie da aquicultura a ser incluída no regime, em 2018. Em 2019, foram aprovados atos concessórios de drawback para exportações de 3.023 t de tilápia: 57% do volume total exportado (5.322 t).

Otimismo no setor

As empresas associadas a Peixe BR estão confiantes tanto no desempenho da economia brasileira em 2020 quanto da própria atividade. Pesquisa com exclusividade para o Anuário Peixe BR 2020 de Piscicultura mostra que 100% das empresas que responderam ao questionário da entidade estão com expectativa positiva, sendo que 55% estão confiantes, 36% estão muito confiantes e 9% estão extremamente confiantes.

– As empresas associadas concordam que faltam muitas reformas e ajustes, mas confiam no processo em andamento, especialmente a partir da maior participação da sociedade nas discussões – explica Francisco Medeiros.

Quanto à confiança das empresas na piscicultura brasileira, o resultado da pesquisa exclusiva do Anuário Peixe BR 2020 é ainda de mais otimismo: 27,2% das empresas têm confiança no crescimento da atividade em 2020, 36,2% têm muita confiança e 36,2% estão extremamente confiantes.

– O crescimento econômico deve puxar o consumo de proteínas animais – analisa Francisco Medeiros.

– O fator China também é citado pelos empresários. Caso a demanda de carnes pelo país asiático se mantenha elevada, o mercado interno será impulsionado, puxando as carnes, inclusive de peixes de cultivo.

Campanha de incentivo ao consumo

Em 2019, a Peixe BR criou a campanha Coma Mais Peixe (#comamaispeixe), com apoio de empresas de diferentes elos da cadeia produtiva e realizada pela Texto Comunicação Corporativa, para ajudar a educar os brasileiros sobre os inúmeros benefícios do consumo de peixes de cultivo e, com isso, contribuir para aumentar o consumo dessa proteína diferenciada e extremamente saudável. O principal meio de divulgação da mensagem da #comamaispeixe é a internet. Nas redes sociais, estão disponíveis vários conteúdos, recheados de dicas, dados da atividade, informações positivas, esclarecimento de mitos e muito mais.

Em 2020, a Coma Mais Peixe mantém foco nas vantagens dos peixes de cultivo para a sociedade, tendo como objetivos impactar formadores de opinião, comunicadores, influenciadores digitais e, claro, o público em geral. Para isso, novas ações estão sendo realizadas, procurando atrair cada vez mais consumidores para essa proteína fantástica, saudável e acessível.

Método de coleta de dados

Para chegar aos números constantes no “Anuário Peixe BR da Piscicultura 2020”, a Peixe BR baseia-se em informações advindas de fundamentais parcerias, dentre as quais estão:

Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações); Associações e cooperativas de produtores estaduais e regionais; Órgãos estaduais vinculados à produção e assistência técnica; Produtores de alevinos e de peixes de cultivo; Principais frigoríficos em diversas regiões; Compradores de peixes (atacadistas e varejistas).

Além das informações coletadas junto a esses parceiros, especial atenção é dada aos estados. Aqueles cujos levantamentos de produção são dissonantes entre as várias instituições recebem visitas da Peixe BR. A entidade reúne-se com os principais atores da piscicultura para identificar o real status da produção de peixes de cultivo, objetivando entender os pontos de conflito e chegar às estatísticas que reflitam a produção efetiva.

fonte: http://cerradoeditora.com.br/cerrado/eventos-cerrado-rural/

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